4 formas de melhorar as fontes de água para agricultura

Que o Brasil ainda tem água em abundância não é novidade, mas é preciso saber gerir o recurso hídrico finito e combater desperdícios para evitar sua escassez. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), em média 72% da água captada no Brasil é destinada para a produção agrícola, enquanto no mundo essa média representa 70%. Sabe-se também que embora a agricultura consuma muita água devido à produção de alimentos, o setor gasta mais recursos hídricos do que deveria.

Portanto, adotar técnicas sustentáveis e pensar em formas de melhorar as fontes de água para agricultura, é essencial para a otimização e eficiência do uso dos recursos hídricos, principalmente considerando que a cobrança pela captação de água em culturas varia de acordo com o tamanho da propriedade que a utiliza e o local de onde a água é retirada.

Uma das maneiras de otimizar o uso dos recursos hídricos é evitar desperdícios na irrigação, principalmente considerando que o crescimento da prática da irrigação por produtores brasileiros significa puxar mais água de fontes — como poços, lagos e rios —, podendo assim competir com o uso humano. Para entender como é possível melhorar as fontes de água para agricultura, acompanhe o nosso post.   

1. Gotejamento

A técnica de irrigação mais conhecida como gotejamento consiste em transportar água para locais precisos de acordo com a quantidade e o tempo necessários. A ideia dessa técnica inteligente é aplicar a água diretamente nas plantas, considerando as reais necessidades, e não o solo como um todo.

É um sistema em que as mangueiras direcionam as gotas d’água de maneira bem específica para as raízes das plantas. São realizadas simulações de irrigação baseadas no regime de chuvas do local do plantio e na necessidade hídrica das plantas em cada estágio da cultura, evitando assim que a água seja usada de forma aleatória ou exagerada.

Apesar de mais caro, o gotejamento é uma ótima forma de economizar água — de 30 a 50% do recurso irrigado — e evitar que cada produtor irrigue seu plantio de forma aleatória, sem regras e limites.

2. Irrigação noturna

A irrigação noturna evita a evapotranspiração das plantas entre os turnos de regas, ou seja, a perda de água do solo por meio da evaporação ou da planta por transpiração. Além disso, irrigar a lavoura no período entre 21h30 e 6h30 contribui para a diminuição dos gastos com energia elétrica, por meio do benefício da tarifa noturna. Esse método também é considerado ambientalmente sustentável, garantindo plantações mais saudáveis e produtivas, e contribuindo para a redução do uso de agrotóxicos nas lavouras.

No estado do Paraná, o Programa de Irrigação Noturna (PIN), uma parceria da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-PR), oferece o desconto de 60% na tarifa de energia elétrica para o agricultores irrigantes e aquicultores que praticam a irrigação noturna.

Os produtores que irrigam durante o período noturno também ganham em eficiência, além de gastar menos água e energia elétrica. Esse método atende às reais necessidades das culturas e faz com que as perdas de água para a atmosfera sejam reduzidas, considerando que a umidade relativa do ar é maior à noite e a velocidade do vento também costuma ser bem menor que durante o dia.

3. Reuso da água

Uma prática que vem se tornando cada vez mais comum no Brasil é o reuso da água. Empresas de saneamento tratam o esgoto e reutilizam o efluente tratado, que é também conhecido como água de reuso. Essa água é o resultado de um processo de purificação que tem de atender a padrões de qualidade e pode ser usada para vários fins — irrigação agrícola, irrigação de jardins, na lavagem dos espaços públicos e dos automóveis e na indústria. Contudo, essa água não é indicada para o consumo humano.

Embora o Brasil necessite aproveitar as águas residuais e buscar outras fontes alternativas para melhorar a gestão dos recursos hídricos, o país ainda não tem nenhuma legislação específica para atender especificamente as práticas de reuso da água. Além disso, o reuso de água para agricultura ainda é desorganizado e indisciplinado.

A Agência Nacional de Águas tem incentivado o reuso da água na agricultura — especialmente na irrigação — a partir de efluentes, principalmente, em cidades brasileiras com menos de 50 mil habitantes, que não têm escala ou recursos para tratar o esgoto antes de despejá-lo nos rios. É importante destacar que as águas residuais tratadas com segurança são uma forma sustentável e acessível que podem suprir as demandas da irrigação.

4. Compra de motobombas mais eficientes

A irrigação como forma de rega de culturas agrícolas é fundamental para o sucesso do plantio e da colheita. Considerando momentos de falta de chuva ou mesmo quando ela não é suficiente para o sucesso da cultura, a irrigação depende da água de poços, rios ou lagos. Sendo assim, essas fontes de água demandam de uma bomba para transportar a água para o sistema de irrigação, que pode ser formado por aspersores ou tubulações que vão distribuir o recurso hídrico nas várias linhas da plantação.

Portanto, para que o sistema de irrigação seja eficiente, antes de escolher a melhor motobomba, é importante dimensionar adequadamente o sistema para a lâmina d’água necessária ao projeto, mapear os pontos de trabalho das bombas de acordo com cada fabricante, estabelecer a melhor curva em função da vazão e da pressão do bombeamento para que seja possível usar toda a potência de eficiência dos sistemas de bombeamento para os diferentes tipos de irrigação e ainda identificar a melhor relação de custo-benefício da janela de irrigação.

O Brasil irriga pouco, principalmente porque algumas regiões do país ainda carecem de infraestrutura de distribuição de água e energia elétrica. Além disso falta capacitação e investimentos tecnológicos para melhorar as fontes de água para agricultura.

Hoje, o Brasil tem quase seis milhões de hectares irrigados, mas com potencial para chegar perto de 30 milhões de hectares, ou seja, cinco vezes maior. Sendo assim, a Política Nacional de Irrigação (Lei 12.787/13) deve orientar agricultores para o planejamento da área irrigada e incentivar a prática da irrigação de modo racional e eficiente.

O que você achou das nossas dicas? Acha que elas podem dar um bom resultado no campo aliadas a escolha certa da motobomba para o seu sistema de irrigação? Deixe seu comentário!




Comments (4)

  1. gostei das dicas, gostaria de saber se pode colocar cano de pvc para revestimento de poço seme artesiano ?

    1. Bom dia Manoel, agradecemos o comentário!

      Algumas pessoas utilizam o cano de PVC para revestimento de poço semi artesiano, porém, não é o ideal, pois ele irá se deformar ao longo do tempo, com a pressão do tubo, podendo quebrar/estourar e gerar problemas maiores.

      O indicado é que o senhor utilize Tubo Geomecânico, porque este não irá deformar, nem correrá riscos.

  2. Olá, eu e minha familia temos uma chácara onde pretendemos plantar milho e feijão, mas tem que ser de forma irrigada.Porém lá não tem energia elétrica, por isso gostaria de saber se uma Bomba D’agua, de poucos HPs, poderia ser ativada por baterias de automóveis?
    um abraço

    1. Bom dia, Felipe.
      Nesse caso, precisa ser utilizado um gerador.
      Me informe as especificações da bomba que será utilizada, para te indicarmos o gerador ideal.

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